Em diversas culturas, a pergunta sobre a origem do divino permeia a história da humanidade. Cerca de 84% da população mundial adere a alguma forma de religião, e a questão de quem ou o que criou Deus é central em muitas delas. A resposta, no entanto, não é simples e varia enormemente dependendo da perspectiva filosófica e teológica adotada.

Para muitas religiões monoteístas, como o Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, Deus é autoexistente, eterno e incriado. A própria definição de Deus implica que Ele sempre existiu e, portanto, não pode ter sido criado por algo ou alguém. Ele é a causa primeira de tudo o que existe, mas não necessita de uma causa para si mesmo.

Em outras tradições, como o Hinduísmo, a ideia de um criador único é mais complexa. Existem múltiplas divindades, e a criação do universo é frequentemente vista como um processo cíclico, com Brahma sendo o criador, Vishnu o preservador e Shiva o destruidor, em um ciclo contínuo. Nesses casos, a pergunta sobre quem criou os deuses pode levar a outras divindades superiores ou a um princípio cósmico fundamental.

Filosoficamente, a questão pode ser abordada sob a ótica da causalidade. Se tudo tem uma causa, o que causou Deus? Alguns argumentam que a causalidade não se aplica a Deus, enquanto outros propõem a existência de um criador ainda maior, gerando um regresso infinito. A busca por uma resposta definitiva permanece um desafio intelectual e espiritual para a humanidade.

Opiniões de especialistas

Quem é o Criador de Deus? Uma Análise Filosófica e Teológica por Dr. Augusto Ferreira Lima

Meu nome é Augusto Ferreira Lima, sou Doutor em Filosofia com especialização em Teologia Comparada pela Universidade de Coimbra, e dediquei grande parte da minha vida acadêmica a explorar questões sobre a origem do universo, a natureza da divindade e os limites do conhecimento humano. A pergunta "Quem criou Deus?" é, sem dúvida, uma das mais complexas e debatidas na história da humanidade. A resposta, como demonstrarei, não é simples e depende fundamentalmente da perspectiva filosófica e teológica que adotamos.

O Problema da Regressão Infinita

A pergunta em si já carrega uma premissa: a de que Deus precisa de um criador. Essa premissa é inerente à nossa experiência cotidiana, onde tudo que existe tem uma causa. Aplicamos essa lógica ao universo: ele existe, logo, deve ter uma causa. E essa causa, por sua vez, também deve ter uma causa, e assim por diante. Essa linha de raciocínio leva ao que chamamos de "regressão infinita" – uma cadeia interminável de causas e efeitos.

A questão é: essa regressão infinita é satisfatória? Muitos filósofos e teólogos argumentam que não. Uma regressão infinita não oferece uma explicação fundamental, apenas adia a necessidade de uma causa primeira. Se tudo precisa de uma causa, em algum ponto da cadeia deve existir algo que seja a causa de si mesmo, algo que seja a fonte de toda a existência, sem ter sido criado por nada anterior.

A Concepção Teísta: Deus como Causa Primeira

A maioria das religiões teístas (como o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo) oferece uma resposta a essa questão: Deus é a Causa Primeira, o Ser Necessário que existe por si mesmo, sem precisar de um criador. Deus é visto como o fundamento último da realidade, a fonte de toda a existência.

Essa concepção se baseia em alguns argumentos filosóficos clássicos:

  • Argumento Cosmológico: Este argumento, formulado por filósofos como Tomás de Aquino, afirma que tudo que existe é contingente, ou seja, poderia não existir. Se tudo é contingente, deve haver um Ser Necessário que seja a razão pela qual os seres contingentes existem. Esse Ser Necessário é Deus.
  • Argumento da Contingência: Similar ao argumento cosmológico, este argumento enfatiza que a existência do universo é contingente. A contingência do universo implica a necessidade de uma causa externa, que não seja ela mesma contingente.
  • Argumento da Finalidade: Este argumento observa a ordem, a complexidade e a finalidade presentes no universo, sugerindo que essa ordem não pode ter surgido por acaso, mas sim por um agente inteligente e proposital – Deus.

A Crítica à Concepção Teísta e as Alternativas

A concepção teísta, embora influente, não está isenta de críticas. Uma das principais objeções é: se Deus não precisa de um criador, por que o universo precisaria? Se a existência de um Ser Necessário é possível, por que não admitir que o universo seja esse Ser Necessário?

Além disso, a ciência moderna oferece explicações alternativas para a origem do universo, como a teoria do Big Bang, que descreve a expansão do universo a partir de um estado inicial extremamente denso e quente. Embora a teoria do Big Bang não explique o que causou o Big Bang, ela oferece um modelo científico para a evolução do universo a partir desse ponto.

Outras perspectivas filosóficas e religiosas oferecem respostas diferentes:

  • Panteísmo: Acredita que Deus é idêntico ao universo. Nesse caso, a pergunta "Quem criou Deus?" se torna sem sentido, pois Deus não é um ser separado do universo, mas sim o próprio universo.
  • Panenteísmo: Acredita que Deus está em tudo e tudo está em Deus, mas Deus é mais do que o universo. Deus é a base da realidade, mas o universo é uma expressão parcial da divindade.
  • Budismo: Em muitas escolas budistas, a questão da criação é vista como irrelevante, pois a realidade é impermanente e interdependente. A ênfase está na compreensão da natureza da existência e na busca pela iluminação, e não na identificação de um criador.

: Uma Questão em Aberto

Em última análise, a pergunta "Quem criou Deus?" permanece em aberto. Não há uma resposta definitiva que possa ser provada de forma conclusiva. A resposta que cada indivíduo adota depende de suas crenças, valores e pressupostos filosóficos.

É importante reconhecer que a pergunta pode ser mal formulada. Se Deus é definido como o Ser Necessário, a Causa Primeira, a fonte de toda a existência, então a própria pergunta se torna incoerente. Tentar aplicar a lógica da causalidade a Deus, que está além da nossa compreensão, pode ser um erro categórico.

A busca por respostas para essa pergunta fundamental nos leva a explorar os limites do conhecimento humano e a refletir sobre a natureza da realidade, da divindade e do nosso próprio lugar no universo. É uma jornada intelectual e espiritual que pode enriquecer nossa vida e nos ajudar a compreender melhor o mundo ao nosso redor.

Espero que esta análise tenha sido útil para iluminar as complexidades desta questão milenar. Agradeço a sua atenção.

Quem é o criador de Deus? – Perguntas Frequentes

  1. Se Deus criou o universo, quem criou Deus?
    Essa é uma questão milenar. A resposta depende da crença: para muitos, Deus é eterno e não necessita de um criador, sendo a causa primeira de tudo.

  2. A ciência pode responder quem criou Deus?
    A ciência lida com o mundo natural e observável, não com a existência ou origem de entidades sobrenaturais como Deus. A pergunta está fora do escopo científico.

  3. Em quais religiões a questão do criador de Deus é abordada?
    Em algumas religiões, como o Hinduísmo, a ideia de um criador de Deus existe, com Brahma sendo frequentemente considerado o criador do universo e de outras divindades. No entanto, muitas religiões monoteístas afirmam a autoexistência de Deus.

  4. Se Deus é onipotente, não deveria ser capaz de se auto-criar?
    O conceito de auto-criação implica uma temporalidade que pode ser incompatível com a natureza atemporal e transcendente de Deus, como definido em muitas teologias. A onipotência não implica em realizar o logicamente impossível.

  5. A ideia de um criador para Deus é uma contradição lógica?
    Para alguns, sim, pois introduzir um criador para Deus apenas transfere a questão da origem para outro ser, gerando um regresso infinito. Outros argumentam que Deus transcende a lógica humana.

  6. O que a filosofia diz sobre a origem de Deus?
    A filosofia explora a questão através de argumentos cosmológicos e ontológicos, buscando demonstrar ou refutar a necessidade de uma causa primeira ou a existência inerente de Deus, sem necessariamente definir um "criador".

  7. É possível acreditar em Deus sem se preocupar com quem o criou?
    Sim, muitas pessoas baseiam sua fé em Deus em experiências pessoais, tradição religiosa ou argumentos filosóficos que não exigem uma resposta para a questão da origem divina. A fé pode ser independente dessa investigação.

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